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sábado, 15 de agosto de 2026

Cabala e a arte de apropriação do sexo. Apropriando a libido, a intimidade, o gênero e a nubilidade

        Nós, somos da espécie Homo, surgidos na África há dois milhões e meio de anos. Destes, somos Homo Sapiens, surgidos há cerca de 300 mil anos. Nesse processo, os agrupamentos para sobreviver caracterizam-se por perceber-se, conhecer o conhecimento que produziam, e desenvolver o pensamento simbólico complexo estruturando a linguagem gestual, oral e mais tarde a escrita, considerando as diversas formas de representações nas cavernas, rochas externas, nós, marcas na vegetação para sinalizar caminhos. Dentre os tantos processos de “sapiensisações” (adoro fazer isso na língua portuguesa) estão os Hebreus que se constituíram por volta de 2000 a.C. na região do Oriente Médio. Constituíram-se e não surgiram, do nada, de forma pura. São a mistura (gosto disso) de outras pessoas, culturas da região e que se consolida no judeu atual, também uma mistura de outros povos, ou seja, ninguém é puro, como os pretensos Nazistas Arianos, embora romanticamente aculturados, todos o que queiram ser. Somos todos da mesma fonte: a África Negra e miscigenados e deu! E como nos multiplicamos: relações sexuais. Com desejo e prazer.

Segundo a tradição [bíblica], portanto pensamento simbólico metafórico, eles eram pastores nômades de origem semita que partiram da cidade de Ur, na [Mesopotâmia], sob a liderança do patriarca [Abraão], em direção à terra de Canaã. E que também, dali para frente só “mistureba”.

Dito isso, a minha vista de um ponto do exposto do A Cabala e a arte de apropriação do sexo, da série Reflexos e Refrações, é complementar ao tema Trabalhadoras do sexo, no Filha, Mãe, Avó e PUTA de Gabriela Leite e na obra de Metafísica da puta de Laurent de Sutter, o sexo por ele mesmo.

Dito isso 2, o comentarista de orelha “nada mais nada menos” é Nei Matogrosso, citando a “maneira transgressora de se referir a um assunto que ainda hoje não se fala nas casas das pessoas”. Pronto. Nem precisaria ler o livro. Mas não, Nei só ratifica o autor Nilton Bonder: tem que ler. Só parafraseio Nei: “maneira didática de se referir a um assunto que ainda hoje não se estuda nas escolas”. Nos anos de 1999 e 2002, trabalhei como formador de professores de Arte na Secretaria de Estado da rede Pública Estadual de Ensino de Santa Catarina. Numa dessas Capacitações, assim era denominadas, com professores de Arte de todas as Coordenadorias Regionais, CREs, trabalhei com eles uma proposta metodológica, dividindo em grupos temáticos para elaborarem planos aula com base na metodologia de aprendizagem da Teoria da Atividade, desenvolvendo suas categorias fundantes do processo de interação com o conhecimento: Operação, Ação e Atividade Significativa. Então, distribui para cada grupo um tema da arte em seus diversos períodos da história da arte, linguagens, suportes e contextos: Natureza Morta, Retrato, Paisagem e Nú Artístico.

 No interagir com os grupos e o desenvolvimento de suas atividades, percebi que o grupo com o tema Nú Artistico não caminhava. Entendendo que todo processo tem etapas de desenvolvimento para cada um, observei que na terceira vez que interagi com o grupo não haviam produzido nada. Perguntei qual era a dificuldade e eles exporem que não se sentiam pessoalmente à vontade com aquele tema e tão pouco trabalhá-lo com os alunos, quiçá mostras reproduções de obras de arte com o tema. Lembrando que o ensino de Arte deu um salto significativo com a Abordagem Triangular (fazer artístico, leitura de imagem e contextualização histórica, não necessariamente nessa ordem) e as novas tecnologias democratizaram acesso a imagem. Então, sentamos e conversamos sobre a dificuldade com a nudez, mesmo ela sendo um tema da arte e tendo uma representação do belo romântico do corpo, eles não sabiam distinguir o Nú Artístico de Tema/conteúdo de Arte de pornografia, pecado, culpa, pudor e tão pouco trabalhar os temas transversais diretos vinculados a este conteúdo: sexualidade e corporeidade, interdisciplinares com Biologia e Educação Física, e os temas transversais nas áreas de história, filosofia, sociologia. Ou seja, sexo não se conversa em casa e nem na escola de forma mediada e saudável. Sexo ainda é tema grosseiro de dois extremos: na pornografia, com um sim, e na religião, como um não. Os diversos matizes existentes no cotidiano saudável são totalmente ignorados, produzindo pessoas e sociedades ignorantes, e portanto, doentes. Voltemos ao livro.

Com uma epígrafe talmúdica, mil e quinhentos anos atrás: Três coisas nesse mundo se assemelham ao mundo dos céus: o shabat, o brilho do sol e o uso da cama. Também encerra aqui. Para bom entendedor meio Talmud é suficiente. Não. Vamos adiante.

Eduardo Bueno, o Peninha, gremista diga-se de passagem, nos diz que o teste de conhecer um bom livro é ler a primeira linha ou parágrafo do primeiro capítulo. Aqui já foi aprovado na nota de orelha de Nei Matogrosso e na epígrafe Talmúdica. Mas não são a primeira frase formal do livro. Vamos a ela: “Abordar o tema do sexo é um desafio viril”. Pronto. Aprovado. Vindo de um rabino. Perfeito. Um detalhe antes: não sei como o Cristianismo e o Mulçumano abordam o sexo e/ou a prostituição. De senso comum eu imagino que o tratem como pecado, sujo, imoral, o que não encontrei na vista a partir de um ponto sexo/prostituição de um Rabino.

Pontualíssimo Nilton Bonder esclarece que o livro “não é sobre sexualidade, mas sobre sexo, pois depois de constatarmos que existimos, o sexo é o elemento mais categórico de nosso corpo”. E mais feliz ainda diz que “para cada pessoa, sexo é um elemento do corpo, de como alguém veio ao mundo, de sua nudez e seu talhe (...) e nele poderá se contrapor ou buscar modifica-lo em outra identidade sexual, caso ela se mostre mais adequada. Para tal, porém, terá que esculpir-se a partir desta determinação e destino”. Isso é só a introdução. Fantástico. Quebrou já o conceito Homem/Mulher do próprio Gênesis e reconhece a diversidade das manifestações do sexo (termo meu. Indicado para livrar o autor de uma possível má interpretação).

Ele também já aponta o sexo como binário em que “a sociedade aplicou distintas propriedades inerentes à essência de ‘dois’”, e ainda “por força da multiplicidade – ainda que restrita -, provocar gosto pela diversidade”. Faço o recorte aqui, para o casal (Homem/Mulher, Mulher/Mulher/ Homem/Homem e suas variações LGTBQIAPN+) (não do autor), trisal, quadrisal, não monogâmico, ou seja, a multiplicidade inerente nas “virtudes das relações do tipo eu-tu. Sim, o binário se presta a muitas políticas (...) Não tanto pelo que ele determina, até porque a evolução é incompatível com a noção de imutável, mas para o que aponta. Sexo é corpo e sexo é encaixe”.

 No capítulo 1, Cabala e apropriação indica o sexo como “a identidade que diz respeito aquilo que se é, e se constitui majoritariamente de fatores alheios à escolha de alguém”, entendi essa frase esclarecendo a categoricamente a legitimidade da LGBTQIAPN+ como condição inerente, intrínseca da espécie Homo a dois milhões e meio e na sua descendência, Homo sapiens, nós. Somente descriminada, negada no desenvolvimento simbólico gestual, oral e mais tarde a escrita de algumas culturas.

Na Personificação – não é bom estar só, esclarece que “o sexo diz respeito a si e não ao outro ou à relação com o outro (...) sendo que essa afirmação pode causar estranhamento, dado à cultura humana (não há outra cultura, brinco com o autor), que estabeleceu uma conexão direta entre sexo e afeto, trazendo ambiguidade confundindo as duas áreas”. Essa reflexão dá pano para manga, pois trata literalmente do para fazer sexo não precisa do afeto, da admiração, do amor pelo outro para namorar, casar, procriar, só precisa do amor próprio pelo prazer. E aqui o conceito de prostituição como profissão do prazer se fundamenta. A autobiografia Filha, Avó, Mãe e Puta, do prazer de vender o produto sexo com prazer, sem se apaixonar pelo cliente e o Metafísica da Puta com as personagens putas, portanto trabalhadoras do sexo, representando esse universo concreto nos palcos, e até no simbolismo, os autores apedrejados: Joga pedra na Geni.

No livro A Cabala e arte da apropriação do Sexo, Nilton Bonder nos explica a confusão construída, erroneamente, culturalmente sobre essa conexão direta entre sexo e afeto. Que não há. Sexo é sexo e afeto é afeto. Explico concretamente: um homem rico, velho, casado, quatro filhas com uma, no caso, esposa que entregou sua vida a ele (normalmente confusão entre sexo e afeto). Prostitui, uma jovem de vinte anos, tendo-a para sexo (sem afeto) quando ele quer, semianalfabeta, pobre, de família simples, ela se mantém assim, uma vida inteira, sem ganhar um centavo, servindo-o com sexo. As putas (que separam sexo e afeto) são melhores porque trabalham, prostituem-se, cobram por livre vontade. Já as amantes e as esposas, são prostituídas pelo covarde banana senhor de família, de graça e pior, com doentio afeto.

As jovens prostituídas (rotuladas romanticamente como amantes), simples, pobres, apaixonadas por cafetões velhos, velhacos, covardes da boa sociedade, são apenas lixo descartável depois de velhas, usadas, num final já programado, para elas, mero ínterim tido como falha, do “bom casamento” do velho banana covarde até que a morte o separe da sua esposa prostituída mor.

No capítulo 2, Apropriação ele divide em tópicos, todos a partir de alguma citação do Talmud.

Na Febre física – apropriação da libido, (um sendo um), “como diretamente relacionada ao corpo. E o corpo se excita por meio de dois recursos principais: o toque e o olhar”. E explica os modelos de Febres.

Na Floração emocional – Apropriando a intimidade, (você no outro), “A intimidade é a apropriação de si através de um outro. Ela projeta o ser para além do corpo, fazendo com que ele experimente uma parte de si que só existe em relação com o outro”.

Floração intelectual – apropriando o gênero, (o outro em você). Nesse tópico ele baseia na relação homem/mulher, com base na sua profissão de fé, o judaísmo, e na ideia criacionista, macho/fêmea. da  Torah e não do Talmud, Li o tópico, mas o transpassei para toda experiência de sexo do espectro LGBTQIAPN+, nossa descendência homo sapiens de 200 mil anos.

Febre espiritual – Apropriando a nubilidade, (um virando um). Aqui ele não se refere ao Talmud, mas à Torah. “A nubilidade é o estado de quem é núbil, de quem tem desejos de casar-se (...) O principal requisito para um casamento bem-sucedido não é a afinidade ou a atração, mas o desejo núbil, o fascínio por expandir a si mesmo. Uma família é uma expansão, mesmo que seja um contrato entre dois que não comtemple procriação”. Aqui ele diz uma frase significativa: “Esse desejo é aquele que ensejará um acordo que seja propulsor do projeto pessoal de dois (ou mais de dois) indivíduos”.

No Capítulo 3, Perversões e Pornografias, o autor nos esclarece que a “Perversão – da raiz per vertere, virar às avessas – se manifesta por uma inversão (...) ocorrerá quando o indivíduo, em vez de apropriar-se de si, tentará apropriar-se do outro”. E “Pornografia (...) do radical porne que significa ‘prostituta’ ou ‘a vendida/trocada’. E no termo grafos, escrever/descrever. Literalmente (...) àquele que escreve sobre prostitutas (...) o caráter mercantilista, por substituição (...) apropriar-se não de si, mas de outra coisa (...) A perversão é a inversão do sujeito, a pornografia é a substituição do objeto”. Esse capítulo desvela o velho, casado com quatro filhas, quando ele prostitui (não de uma Profissional do Sexo) a jovem, solteira, analfabeta como “apropriar-se de outra coisa, do objeto”, transforma-a em coisa, objeto. O capitulo se divide nos seguintes tópicos:

Frieza física – perversões da libido (abuso), a partir do simbolismo de determinadas culturas, “... se deparar com as varias possibilidades de requintar sensações e assim estimular aspirações, belezas e deleites do sexo, o humano conheceu também a obscenidade: o corpo podia ser associado à carne, ao mundano, a grosserias e imundícies. Tal percepção responde pela presença de ajuizamentos morais na história da sexualidade humana” (as dificuldades dos professores de arte que experienciei).

Há um subtópico fantástico, Nudez de corpo e de olhar,” A tentativa moral de civilizar controlando a sexualidade é outra forma de abuso (...) A nudez humana não é mais revestida de sua pureza, ela requer interação com malícias – doces malícias” em A flor da pele Chico Buarque ilustra perfeitamente esse tópico.

Defloração emocional – pornografias da intimidade (assédio). Aqui a citação do Talmud Yoma 29a (mil e quinhentos anos) é alusiva ao categórico: “Não é não”. Inclusive, o não é não, da jovem, pobre, semianalfabeta, que ignora esse assédio.

Defloração intelectual – pornografias do gênero (fetiche), Ketubot 65a, do Talmud, um rabino frente a um depoimento que aludia à intimidade de um amigo fica excitado e “convulsivamente, volta correndo para casa a fim de ter relações com sua mulher”, ilustrando “de que o erótico, aqui, não é libidinal, uma excitação física, mias que ele se origina na esfera intelectual”.

Frieza espiritual – perversões da nubilidade (promiscuidade), um jovem busca uma prostituta e essa lhe oferece o melhor. No entanto, o jovem dá “uma brochada que nasce de uma nova dimensão da sexualidade”. A partir disso, a prostituta também “brocha” e então ela vende tudo  os dois entram em estado d nubilidade, onde todos os aparatos usados pela prostituta se apresentam na cama dos nubentes. Aqui é tratado a ideia do sexo responsivo, aquele pelo qual na nubilidade, não perde a “promiscuidade”, “desafio de qualquer casamento, independente de sua longevidade, amadurece e se torna o desejo de um virar um’”.

E por final, o Apêndice, parte que me apaixonei, pois Nilton Bonder, traz enxertos do Talmud, mil e quinhentos anos, onde ratifiquei a milenar honestidade intelectual dos rabinos.Com os comentários de Nilton Bonder, divide-se em:

1 - Sexo e incontinência, Talmude Hag, 16a, “Por mais que as construções morais, os costumes e a sociedade estabeleçam regras para atender a valores em ‘Nome dos Céus’, expedientes de escape ara o indomável devem ser disponibilizados. Reprimir é como jogar combustível na já inflamável essência do desejo”

2 – Sexo e estupro, Talmude Hag 9a, “De maneira sagaz, a mulher consegue demonstrar que, que quando se trata de sexualidade, nenhuma experiência meramente sensorial pode atenuar a violência e o abuso sofridos (...) O corpo humano pertence exclusivamente ao seu sujeito, e quando alguém desrespeita isso, fere profundamente a existência (...) uma mulher não é um corpo que responde a excitações, mas uma consciência que o habita”.

3 – Sexo e intimidade temporária, Yoma 18a, “”Encontros que se constroem como uma experiência única podem conter a eternidade da entrega que fazem acontecer, chegando a ser um evento perene num único dia. ‘Até que a morte os separe’ são lembranças para a vida inteira que podem ser deflagradas numa experiência singular”.

4 – Sexo e tamanho, Talmude B.Mts., Remete-se ao tamanho do pênis “E o maior atributo desse trecho bizarro do Talmude é reconhecer a fisicalidade inerente ao sexo. Sem embaraços e de forma direta, a passagem indica o corpo e sua nudez como aparatos essenciais ao sexo. Apenas por sua apropriação a sexualidade pode ser representada. Daí a importância de acoplagens e encaixes, típicos do que forma e corpo”.

5 – Sexo e etiqueta, “Na sexualidade, mesmo as permissões mais invasivas e ousadas são experimentadas num espaço de consentimento, não de uso (...) Nada é sujo ou indecente na sexualidade se os parceiros estiverem disponibilizando e franqueando seu corpo mediado por uma refinada afirmação de autonomia”.

6 – Sexo e traição, Talmude Meg.12a, “Essa curiosa passagem deseja revelar que se existe a semente da infidelidade, ela existe para ambos os congêneres (...) A deslealdade do adultério não é para com o outro, mas para com a natureza contratual da nubilidade”. Nesse enxerto complemento com o depoimento de uma garota de programa, em que ela diz: os homens me procuram para não traírem suas namoradas ou esposas, ou seja, não trair o afeto, o sentimento. Ao passo que, fora da prostituição, apaixonar-se, afeiçoar-se por outra companhia, pois gera nova nubilidade e amplia exponencialmente a traição.

7 – Sexo e frequência, o Talmude regulamenta a frequência conforme a disposição com o trabalho. Quem trabalha na mesma cidade, duas vezes por semana. Em outra cidade, uma vez. Marinheiros ausentes, pode ser uma vez a cada seis meses. E alerta, nos casos comuns, privar a esposa por mais de uma semana estabelece jurisprudência para iniciar o divórcio. Nesse enxerto complemento que fora do judaísmo, ou qualquer imposição religiosa, a frequência e disposição diz respeito a cada um, ao seu ritmo, a sua predisposição, e no caso dos civis, diz respeito a sua individualidade pois o sexo não está vinculado a rituais nubentes, mas a existência cotidiana.

8 – Sexo e culpa, Av.Zara 17A, esse enxerto carece de sua introdução: “Dizia-se que Rabi Eleazar bem Dordia não perdia uma única prostituta no munda sem que tivesse relações sexuais”. Faço uma piada: vivia endividado. Aqui o convívio do judaísmo com a prostituição, entendendo-a como pecado e mundana, e com isso, a busca do perdão pela fraqueza. Destaco, isso no contexto religioso, na vida civil não há essa culpabilidade. Na religião o sexo é simbólico, espiritual, núbil, na vida civil ele é concreto, material, de dois.

9 – Sexo e autoconhecimento, Kid, 81A, “As pessoas que conhecem sua excitação podem ficar mais relaxadas. Aquelas que, no entanto, têm propensão a cálculos e cogitações, essas precisam se antecipar para não ultrapassar o ponto do não ‘retorno’”. Inclusos aqui todos os machistas.

10 – Sexo e receptividade, Talmude Nr,20A, “A receptividade ao sexo é algo que vai se construindo num processo que não depende da puberdade. Uma mistura de ocultamentos e interditos vai trançando uma intricada relação entre o olhar e nudez, a tal ponto que fica nítido o momento em que (...) algo vira intrinsecamente desejável”.

É isso. Essa abordagem do rabino Nilton Bonder, entrelaçada pelo judaísmo, se pôs em diálogo com a minha abordagem ateísta, e elas se entrelaçaram. O bom e velho sexo, origem da espécie Homo, há dois milhões e meio de anos, nos separou como espécie ao desenvolver o pensamento simbólico complexo estruturando a linguagem gestual, oral e mais tarde a escrita, considerando as diversas formas de representações, negando-o, demonizando-o, mas como referendam Nilton Bonder, nesse livro e Chico Buarque, em O que será/ A flor da pele: “O que não tem vergonha, nem nunca terá/ O que não tem governo nem nunca terá/ O que não tem juízo”

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