quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Momento terapia: o Pai sem Armadura

Li bem pouco neste período. Li mais sobre terapia individual como O cavaleiro preso na armadura. Um livro muito gostoso de ler e voltado para quem quer deixar de ser macho, homem ou qualquer rótulo que indique um produto com fórmula. Esse livro traz a história de um cavaleiro que não se deixava tocar, certo de seu papel, sempre buscando lutas para libertar princesas e matar dragões, claro protegido (ou escondido) dentro de sua armadura. O processo de "desarmaduração" é muito bem descrito e nos traz reflexões fora do óbvio. Li um capítulo por semana, conforme orientação de minha terapeuta, que não pude salvar de um dragão, pois ela já era salva ou gostava do dragão, ahahahah. Acho que não sai da armadura. Favor não confundir sair do armário, pois essa é uma das bobagens que o livro nos orienta. Rótulos, enquadramentos só servem para objetos, produtos e fotografia. Seres humanos são "inquadráveis".

Outro livro que li foi O manual do pai solteiro em função de minha separação. Muito ansioso pela paternidade, não me imaginei longe dos meus filhos, para ser mais exato, o conceito de Pai não confere com viver longe dos filhos. Interessante, pois, morar junto e estar ausente por trabalho iguala-se a viver distante. Não, não cabe estar junto com qualidade nos poucos momentos, tampouco, a paternidade estar associada à provimento. vivo longe para sustentar minha família. Bons tempos, não sei, mas já passaram. Bem, voltando. Angústia em ficar longe dos filhos. Separar-se da esposa aceitável, filhos são para sempre. Mas o são com responsabilidade e não com saudosismo. Assim, passei por um processo de afastamento dos filhos, imposto pelo velho conceito de "presidiário ou doente internado", visitar quinzenalmente nos finais de semana. Morrer é a palavra para conceituar essa situação: pais ficam longe, lembra da frase acima? e mães cuidam. Assim foi meu inferno de conquista de criar os filhos. Desorientado, com orientação de um advogado, fui conquistando o direito a essa presença.  
Primeiro fui morar num hotel e os levava para lá no maldito quinzenal. Sendo que todo dia pela manhã ia a escola dar bom dia, o que fiz no período em que estava casado. Não falhei um dia. Ou ia de taxi, noventa por cento, ou ia a pé. Não podia ficar sem dar bom dia a meus filhos na primeira hora da manhã. Com o tempo, passei a ir quinzenalmente a Criciúma e ficou mais leve. Grrrrr!!!! De quinzenal, conseguimos (advogado) que dormiriam nas quartas-feiras. Já havia saído do hotel (o dinheiro acabou) e fui morar em uma quitinete, próximo à escola. Logo comprei mais pratos, copos e dois colchões. A vida, o amor, tudo tornou-se melhor. Poder dar café pela manhã, acordá-los, levá-los à escola, participar da vida deles. Ainda não estava separado formalmente.
O que mais gostei, é que na semana da audiência de separação, a lei da guarda compartilhada foi promulgada. Alívio total. Mas ainda morava numa quitinete e não tinha um padrão de casa para viver com eles. Medo, muito medo, de não poder viver com os filhos.
Na quinta-feira foi a audiência. Tudo mudou. Tudo. Com aquele receio de mãe ter que ficar com os filhos, fui temeroso e esperançoso com duas únicas certezas a separação e viver com meus filhos, criá-los, fazer comida, cuidar das roupas, morar juntos. Na audiência, a juíza, uma portuguesa dita como severa e a promotora, já com esse conceito também, me surpreenderam.
Ao tratar da separação, elas se ateram a duas coisas; separação e guarda dos filhos. Eu, disse que queria a guarda compartilhada, mesmo querendo a integral, argumentei que eu tinha o direito de conviver com eles e ter a rotina de acordar, fazer comida, levar, trazer. No que a promotora olhou-me e disse que não. Esse era um direito dos filhos e por isso eu teria a guarda compartilhada. Sabe o que é tirar uma pedra das costas? É pior. 
Solicitei uma semana para poder me organizar. Saí da audiência e fui fechar negócio de um apartamento com três quartos. Tinha colocado como meta que cada filho teria um quarto, já era hora de terem sua individualidade, seu espaço. Liguei para o locatário em Laguna. Fechamos negócio e corri atrás de mobiliar o apto. O que eu tinha? Dois colchões. Sexta-feira corri lojas, fiz orçamentos e na quinta-feira seguinte, já estava com o apto mobiliado, sem sofás claro. Os colchões tornaram-se sofás. Assim, ainda faltou a geladeira que só seria entregue na segunda-feira. E claro, uma dívida daquelas! Estendi mais um fim-de-semana torturante (nem tanto) e pude iniciar minha vida de pai solteiro. Até hoje eles moram comigo. Amo viver com eles. 
Nesse caminho tive alguns embates com rótulos e enquadramentos que me fizeram ficar mais forte. Um primeiro, passo longe do conceito de que estar solteiro é abandonar os filhos para cair na folia. Nunca tive esse desejo, até porque a folia para quem tem filhos é ausência de responsabilidade. Um segundo, foi o conceito de que nenhum juiz dá a guarda para o pai. Fui agraciado por um período em que a lei favoreceu-me e com uma juíza e promotora que dedicaram-se ao contexto e não ao gênero. Compreendendo os tempos modernos. Nesse ínterim fui agraciado com o amor de uma companheira que me fez e faz bem. Mas não corresponde ao conceito de que homem não pode viver sem mulher. Pois toda minha força de ser pai presente está em mim, pois não concebo mulher como empregada. No período que fiquei com meus filhos cozinhei, lavei, passei, limpei e continuo assim. Meu pai foi meu referencial de independência pois nos criou cozinhando e contando suas histórias de que passava suas roupas, fazia sua comida, pois foi solteiro e morou sozinho.
Quanto ao livro O manual do pai solteiro é muito bom, pois ele, jovem, ficou com uma filha de poucos anos e gradativamente com auxílio da ex companheira, aprendeu a ser Pai solteiro.



terça-feira, 4 de junho de 2013

Qual a tua obra?

O livro de Mário Sérgio Cortella em um primeiro momento nos intimida pelo título: Qual a tua Obra? Fiquei um pouco reticente em ler, afinal, vai que ele me coloque na parede? Bem não é nada disso, pelo menos para quem tem uma obra. Qual? Qualquer uma, afinal, isso vai depender do seu tempo e intensidade de vida. Assim foi que eu li.
Bem, respondido qual é a do livro, o que valeu são as referências que o autor oferece,  pescando na etimologia, os significados e os sentidos filosóficos das palavras e a que elas se destinam. Não podendo esquecer que as palavras (conceitos) são dinâmicos com o tempo (Vygotsky). Gosto de autores que nos remetem à história, até porque, eu me entendo como ser histórico. Assim, tudo tem história. Você não é o que é hoje a partir de hoje e sim pelo seu trajeto. Você não reage ao hoje com o hoje mas com o que trouxe do ontem, com aquelas relações anteriores ao hoje. Claro que, para mim, quanto mais você sabe, mais você se adianta ao tempo, bem como, reconstrói o seu passado, reformula e entende-se nele, modificando-se assim, no que o destino lhe reservaria se você não se ler pelo conhecimento de outros. E Cortella sabe disso, se fundamenta nisso e nos presenteia com palestras e textos muito bem contextualizados. No caso desse livro, ele repete exatamente uma de suas palestras, ou pelo menos aquela que assisti em Joinville, quando do Seminário de Gestão Educacional em 2010.
O livro passa ter sentido para mim na Parte 2. Não sei se desatento no início, mas nesta parte o livro me tocou mais.
Bem o livro tenderia a auto-ajuda, não fosse o autor ser quem é. Detalhe, este é um livro de leitura rápida, mas não menos profunda e não menos gostosa. Segue link do texto do livro on line http://commandcoaching.com.br/2010/sintese_filmes/qual_tua_obra.pdf
Leiam, comprem o livro, deem de presente, porque é um grande pequeno livro. Como nos diz seu autor sobre a trajetória humana: a cada dia somos uma versão nova e  revista de nós mesmos, portanto novos, e no caso do autor, "ampliada". Boa leitura.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O mundo secreto dos Papas

O livro não corresponde ao título em profundidade, mas pincela curiosidades sobre o papado, expondo o lado político, social destes, tanto fatos engraçados como significativos e tensos na história. Para os católicos é um bom compêndio para entender o processo de escolha papal, o funcionamento do vaticano e suas mazelas. O livro não foge aos temas sobre a morte de João Paulo I, muito bem retratada no livro Em nome de Deus de David Yallop, sobre a falência do Banco Ambrosiano, suas relações com a máfia e a causa da morte do papa sorriso,. Também não deixa de fora o silêncio de Leonardo Boff, imposto pelo prefeito da congregação para a doutrina da Fé, cardeal Joseph Raintzenger, hoje Bento XVI, e a crise na teologia. No entanto é como digo, o livro é breve em seus textos, mas não foge a responsabilidade de mostrar os papéis dos papas e da Igreja Católica.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Guia politicamente incorreto

O livro de Leandro Narlock é uma dessas pérolas que surgem para nos intrigar, fazer rir e pensar. Intrigar porque mexe em fundamentos que nos orgulham em ser brasileiros. Santos Dumont é destronado, os negros e índios passam a ter um elemento crucial na sua história, deixam de ser bons selvagens e passam a ser homens de seu tempo, traficando e escravizando quando libertos ou bem pagos.
Rir porque realmente o que se escreve nesse livro nos faz rir de nós mesmos e das obviedades que ululam em nossa frente, mas não podemos ver. O capítulo que fala sobre as grandes bobagens de nossos autores é muito engraçado.
Pensar porque, mesmo não sendo historiador, fica sempre a dúvida: será que as fontes usadas no livro são realmente fidedignas ou o autor pescou um parágrafo aqui outro ali e foi montando sua versão?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz por nada

Feliz por nada é o título de uma das crônicas deste livro. E muito bem escolhido para representar a coletânea apresentada pela autora. Minha esposa recebeu este livro de presente e eu, metido, tomei o livro e devorei-o. Não de uma hora para outra, porque quem lê três livros ao mesmo tempo, não lê nada de supetão, mas depoucoempouco.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Colunista Fotográfico de O Tabuleiro - C3BR

O blog C3BR está me proporcionando um espaço para expressar-me com a fotografia. Márcio Costa Pinho, administrador do blog, é um criador e gerenciador incansável do Xadrez. Jogo que é uma ferramenta presencial de desenvolvimento do pensamento por meio de caminhos (jogadas) a serem criados a cada embate.