quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz por nada

Feliz por nada é o título de uma das crônicas deste livro. E muito bem escolhido para representar a coletânea apresentada pela autora. Minha esposa recebeu este livro de presente e eu, metido, tomei o livro e devorei-o. Não de uma hora para outra, porque quem lê três livros ao mesmo tempo, não lê nada de supetão, mas depoucoempouco.
Marta Medeiros me impressionou nas breves crônicas de duas páginas. Todas milimetricamente exatas, coesas em cada assunto gostosamente abordado. Ela me surpreendeu quando fala das crianças, tema que adoro, pois minha profissão é ser pai. Quando fala de “todo mundo”. Que história é essa de todo mundo sempre? Fiquei feliz pois tenho uma análise parecida com a da autora quando todos são colocados no mesmo saco. Sempre pergunto isso as mulheres que dizem “todo homem é igual”.  O mesmo “com todas as mulheres são iguais”, todos os ”negros são iguais”, todas “crianças são iguais”, todos “homossexuais são iguais”, todos... Enfim, gostei muito dessa abordagem. Também gostei muito de quando ela relata suas estadas em Barcelona, Paris e viagens em que algo lhe aconteceu, por exemplo, do encontro com uma vizinha, em que ela avalia que precisaram estar longe para se cumprimentarem e almoçar juntas.
Para que todos saibam estou escrevendo este comentário apenas com recordações. Não estou partindo do sumário ou indo texto por texto para extrair citações. Penso que seria interessante fazê-lo.
Enfim, Feliz por nada é um livro muito gostoso de ler. Para quem lê um livro por vez, ele vai num tapa. Assisti o filme Divã e vejo muito dele nas páginas deste livro e porque não dizer no pensamento da autora.
Ao ler este livro sinto ter conhecido Marta Medeiros e poderia abraçá-la como alguém querida e amizade antiga. Penso que partilhamos um olhar comum sobre a vida. Claro que esta gaúcha colorada não irá afetar minha tradição paterna tricolor.

6 comentários:

  1. Sebastião Dos Reis Netto22 de dezembro de 2011 09:15

    Oi Ricardinho; Isso tá lindo. Quanto a Profissão de ser PAI, vc precisa ver "O Garoto da Bicicleta" filme lindo, vais te apaixonar. Um abraço, Tião.

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    1. Oi Tião. Lindo é o livro e são as leituras, os amigos, as viagens, a paisagem que nos alimenta e nos faz, para quem permite, um pouco melhor. Uns depoucoempouco distante do fast food do aqui e agora. Já soube do filme e pretendo assisti-lo. Um abraço e para que todos saibam, esse abraço já ultrapassou os vinte anos.

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  2. É tao bom visitar seu blog,ler suas sugestoes de literatura,sentir-se amarrada na leitura por uma linha "fina e resistente".
    um grande abraço.

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    1. Oi Anônimo. Estou procurando uma identidade para o meu blog, sobre o que ele fala.No entanto o que me deixa contente é o gosto dos leitores por minha forma de escrever. Obrigado pelo comentário sutil e consistente.

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  3. Oi Ricardo, já estou lendo o livro e adorando. Já passei por algumas crônicas que você mencionou. Obrigada pelo presente. Bjos

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    1. Oi Mônica. Um livro, um curso universitário, um amor, uma árvore, uma viagem, são bons, mas poucos. Uma vida é suficiente. Marta Medeiros é uma boa escritora porque usou sua única (dedução minha) universidade, seu primeiro livro, sua primeira viagem,... para multiplicar e partilhar com os outros. Ela cumpriu uma orientação "cristã": ninguém acende uma lâmpada para por embaixo da mesa" Lc 8,16-18. Eu sigo uma orientação: se é bom para mim pode não ser bom para todos mas não deixo de oferecer, no mínimo o debate dos contrários me trará nova vida. Espero que o livro seja bom para você. Um abraço com aquela admiração que tenho por ti, por fazer da tua vida um a busca constante de superar limites.

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