sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vale do Rio Vermelho (Trio Melodia)

Me disseram que tu vais embora
Todo o vale começa a chorar
A alegria que havia no vale
Nós sabemos que tu vais levar

Teu sorriso era o meu sorriso
O meu sol eras tu meu amor
Todo o vale vermelho hoje chora
Solidário com a minha dor

Mas se um dia quiseres voltar
Estarei te esperando meu bem
Para o vale vermelho de sangue
Voltará a alegria também

Hum, hum, hum
Para o vale vermelho de sangue
Voltará a alegria também

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Verônica.

Conheci Verônica exatamente como ela relata no jornal - Diário Catarinense - Caderno Escola Aberta, Perfil, pag.11-Setembro/2009. Ela vendendo uma rifa para arrecadar dinheiro para a operação do filho. Como humor, comecei a puxar conversa para saber porque ela estava fazendo aquilo. A intenção era acalentar a desgraça fazendo graça. Fui perguntando:

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Minha mãe

Essa mulher só pode ser especial. Mesmo com seus medos doidos de trovoada, de por a culpa em alguma coisa que comeu, de não ir ao médico ou se quer ouvir minha opinião. Tudo remete a Deus. Não se apega a mais nada. Quando não tem saída, fala de Deus. E Deus que se cuide, porque se Ele não existir “ta” ferrado, porque ela vai reclamar.

Mas não é por isso que escrevo sobre minha mãe. Dia desses, conversando com meu filho mais velho, fiz uma viagem no tempo. Fui até minha infância e adolescência, e fato conhecido era o alcoolismo do meu pai. Desde que me conheço por gente, dos cinco anos de idade, 1970, até quando saí de casa aos 26 anos, 1991, meu pai chegava bêbado, xingava minha mãe de puta para baixo, botava a gente para correr. Lá pelas quatro horas da madrugada, depois de vagar pelas ruas dormíamos na casa de alguém conhecido ou voltávamos para casa. Meu pai já dormindo, luzes apagadas, meus irmãos abriam uma janela e me colocavam dentro de casa, e eu, pé-ante-pé, com um medo louco, abria a porta para eles entrarem. Ficávamos um pouco na cozinha, ríamos da situação, do corridão do pai e íamos dormir todos trancafiados no mesmo quarto. Isso lá pelas cinco da manhã. Em seguida levantávamos para ir à escola e minha mãe para o trabalho. Ela era balconista de lojas de tecido. Meu pai, voltava as dez horas e preparava o almoço. Ali ele começava a beber. Mas era sagrado, não falhou um dia em beber e não falhou um dia em fazer o almoço. Minha mãe, nesses anos todos, nunca levantou a mão para um filho. Nunca bateu em um de nós. Sequer disse um palavrão. Nunca! Jamais descarregou em nós suas tristezas. Manteve-se firme em seu propósito de família e trabalho. E para completar, sempre nos ensinou a respeitar nosso pai. Depois que crescemos jamais admitiu que levantássemos a mão para ele. Sempre dizendo que ele não era assim, que ele fora da bebida era um bom homem. Nunca entendemos. Nunca desrespeitei seu pedido. Para ajudar, na velhice, cuidou dele em sua deteriorização alcoólica. Durante oito anos tomou conta dele, sem ajuda dos filhos, medicando, levando para hospitais e no fim de sua vida ele pediu perdão a ela, e faleceu segurando sua mão.Minha mãe!

Hoje quando chamo a atenção de meus filhos, fico envergonhado por perder a paciência, então lembro como minha mãe nos cuidou e peço desculpas a eles, não por lhes chamar a atenção, mas por ser ríspido.

Minha homenagem a essa mulher, que talvez pudesse ter se separado, mas tinha medo do rótulo “separada” e como a sociedade veria os seus filhos. Sofreu, sofremos. Poderia ter sido melhor, mas ficar junto foi a única maneira que ela conhecia em ser família. Minha mãe.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Jogos no computador. Viajando com Julio Verne

Há um bom tempo venho me divertindo com jogos para PC. Divertindo e aprendendo. Os jogos que contribuíram com meu imaginário foram o peão, a carretilha (carrinho de rolimã), a pandorga (pipa ou papagaio), a bolinha de vidro (pêca ou de gude), o esconde-esconde, a trilha, a dama, o dominó, a caxeta, o pife, a canastra, a rolhada, o mau mau, o banco imobiliário, o taco, o futebol, o cipó...
 

WEBTVeducativaSC - Uma proposta para o ensino em Santa Catarina

 
-A escola nas telinhas: do visor de celular à projeção em data show
Crianças, atenção, por favor! Está no quadro a matéria. Escrevam rápido, pois preciso apagar para continuar o resto do texto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Numa aula de teatro

Ao preparar minhas aulas de teatro (1992-1995), para o Ensino Médio, encontrei um livro sobre a história dos textos teatrais. Nele, vários fragmentos, auxiliam na compreensão da tessitura, nos emaranhados que compõe a dramaturgia em cada tempo, em cada autor, em cada palavra. Apresento-lhes este texto, que me emocionou profundamente, me fez sonhar com um amor além do indivíduo, além de qualquer convenção social. Me fez sonhar com um amor, que não somente rompesse um hímen carnal, mas que rompesse as membranas socialmente produzidas dos desafetos. Membranas de sentimentos vãos, fúteis, dolorosos e que, desmerecidamente, com fel nos lábios, ousamos denominá-los amor.
Eu os chamo pathos, doença. Porém quão doente é o amor, querer ousar destruir o âmago das membranas, hímens inversos, pois não se rompem, ao contrário, nos envolvem, sufocam, obscurecem a alma, que quer amar o que já não é mais amável. Que embrutecido como pedra só aceita o pó, mas que ao pó não voltará.
Fiquei feliz por Shakespeare criar um Romeu sabedor de que para amar, não tem de deixar de ser Romeu, mas tem que abandonar o que lhe acorrenta.

Teatro experiência participativa para formação cultural do cidadão


O presente trabalho diz respeito à conclusão do curso de Pós-graduação em Arte-Educação, oferecido pela FUCRI/UNESC e resultado das aulas de Arte-Cênica da disciplina de Educação Artística nos anos letivos de 1992 e 1993, em uma escola da rede pública de ensino médio, em Criciúma no Estado de Santa Catarina. A experiência se dá no processo de elaboração de uma peça teatral por grupos de alunos, vivenciando o espetáculo teatral em cada etapa, culminando numa mostra de teatro no Teatro Municipal Elias Angeloni. Mediante avaliação escrita pelos educandos, foi analisada a influência do processo da Arte Dramática em sua formação tanto em seu potencial, enquanto críticos, abordando questões técnicas em sua expressão cênica e escrita, bem como em sua manifestação cultural e exercício de cidadania. Neste trabalho é feita ainda, uma abordagem do papel do Arte-Educador em sala de aula.
Leia monografia. Clique no link.

O Ator e a Ética: uma introdução à proposta ética de Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht para o ator


Esta monografia representa meu trabalho de conclusão do curso de “Especialização em Metodologia do Ensino das Técnicas Teatrais: A Formação do Ator", realizado pela UDESC no período de março de 1996 a outubro de 1997.
Analiso o pensamento de Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht identificando seus pressupostos éticos para o ator e a partir disto propor uma reflexão sobre a conduta ética do o ator no final deste século.
Tendo a formação do ator como foco de estudo, percebi que na medida em que os pensadores de teatro propunham um detalhamento da técnica teatral, também delineavam proposições com valores de ordem moral.
Para tentar refletir sobre este tema me propus, inicialmente, pesquisar sobre ética e o ator de Florianópolis, utilizando como procedimento a realização de entrevistas. Alguns fatores de ordem pessoal não permitiram concretizar tal intento, então optei por realizar uma revisão bibliográfica que tomasse como objeto de estudo a obra de Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht, autores que deixaram profundas marcas no fazer teatral contemporâneo.
Para estabelecer uma ligação entre ética e ator percorri um caminho que me levou a entrar em contato com as idéias de Diderot, Stríndberg, Craig, Stanislavski, Brecht, Grotowiski e Barba. No entanto me concentro no pensamento de Constantin Stanislavski e Bertolt Brecht, por entender que estes dois teatristas funcionaram como marcos da história do teatro contemporâneo ocidental, e que ambos proporcionaram rupturas distintas na tradição teatral ocidental.
Leia monografia. Clique no link.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Improvisações e ensaios: como os professores planejam o ensino de teatro na sala de aula



Investiga como os professores de teatro com habilitação específica em Artes Cênicas planejam suas aulas. A pesquisa desenvolveu-se com seis professores da rede pública estadual de ensino, nas escolas sediadas na cidade de Florianópolis. A análise dos depoimentos busca estabelecer paralelos, pontos de convergência e divergência na fala dos professores. Identifica grande dificuldade na formação dos professores, especialmente com relação aos aspectos pedagógicos, mesmo assim, os depoimentos indicam esforço grande dos professores em oferecer educação de qualidade, a despeito das condições de trabalho oferecidas pela escola. O título da dissertação sugerido pela banca representa melhor este trabalho:
Improvisações e ensaios: como os professores planejam o ensino de teatro na sala de aula.

Quer ajuda? Quero...

Estávamos na praia, Palmas/SC, curtindo uma tarde de domingo muito gostosa. Daquelas em que a água está na temperatura ideal, o vento não nos deixa com frio e o sol não está tão abrasador. As crianças brincando na água e nós, na areia, observando a paisagem, os que caminham de ponta a ponta, os banhistas, outras crianças. Minha esposa sentada, tranquila numa tarde lírica. Eu em pé.
Meu olhar se detém numa senhora, deitada na orla, ao balanço das ondas. Mas ela estava "muito" ao balanço das ondas e a coisa começou a ficar engraçada...Chamei minha esposa e mostrei-lhe a situação. A desorientação era tanta, que as ondas tiraram a proteção de cima do maiô, ficou mais engraçado... Então ela tentou se levantar e caiu reta. Estava alcoolizada. Olhei em volta e todos estavam rindo...como eu. Falei para minha esposa - Vamos ajudá-la. Ela respondeu que poderíamos ser xingados. A senhora continuou, agora eu entendia que ela tentava sair e não conseguia. Pedi a minha esposa que fosse comigo ajudá-la. Aproximamo-nos e perguntei-lhe - Quer ajuda? Ela respondeu-me com um olhar de agradecimento - Quero!
Minha esposa arrumou o maiô dela, nós a levantamos e encaminhamo-na para sua barraca...
Depois, choramos.